No final de novembro de 2022, Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, iniciou negociações para um possível exílio na Bielorrússia, sob a proteção de seu aliado Aleksandr Lukachenko. Essa movimentação ocorreu em um momento em que a pressão militar do governo de Donald Trump sobre a Venezuela se intensificava. O ex-presidente dos Estados Unidos adotava uma postura firme contra o regime de Maduro, o que levou a preocupações sobre o futuro do líder venezuelano.
O governo russo desempenhou um papel importante nas tratativas. Maduro enviou seu embaixador na Rússia, General Jesús Salazar Velásquez, a Minsk no dia 25 de novembro, onde foi informado de que Lukachenko estaria pronto para recebê-lo. Apesar de Maduro preferir ir a Moscou, Putin estava relutante em arriscar a relação com Trump, especialmente em um momento delicado das negociações para encerrar a guerra na Ucrânia.
Em 10 de dezembro, Trump ampliou a pressão sobre a Venezuela ao apreender um petroleiro que transportava óleo para Cuba. No dia seguinte, Velásquez retornou a Minsk. Enquanto isso, Lukachenko buscava fortalecer suas relações com o governo americano, liberando uma série de presos políticos no dia 13 de dezembro, o que levou a um alívio parcial das sanções impostas por Trump sobre a Bielorrússia.
Lukachenko, em uma entrevista, declarou que estaria disposto a receber Maduro caso ele deixasse a presidência, embora tenha negado ter conversado com líderes venezuelanos sobre isso. De acordo com fontes próximas aos acontecimentos, essa oferta ainda é válida, especialmente se Trump decidir se livrar de Maduro após seu julgamento iminente, no qual ele deve ser condenado por narcoterrorismo.
As reações no Kremlin diante das ações de Trump foram de cautela. A liderança russa considerou a captura de Maduro um revés político para os Estados Unidos, mas muitos no governo têm receio de que isso possa fortalecer a posição de Trump em relação à Rússia e à Ucrânia. Além disso, há a noção de que as negociações de paz sobre a Ucrânia não avançarão, deixando a crise nas mãos dos aliados europeus dos EUA, o que seria favorável à linha mais rígida do Kremlin.
Os russos disseram que Trump não deve se restringir apenas a ações na Venezuela. O ex-presidente já fez insinuações sobre ações militares contra a Colômbia e manifestou preocupações sobre a situação em Cuba.
Apesar das críticas e da retórica de apoio à Venezuela, os aliados de Caracas, como a Rússia e a China, se veem em uma posição limitada, tendo que se concentrar em negociações comerciais com os Estados Unidos, enquanto protestam contra a captura de Maduro.
A relação de Putin com a Venezuela remonta ao governo de Hugo Chávez, que iniciou em 1999. Desde então, a Rússia forneceu equipamento militar significativo ao país, incluindo sistemas de defesa avançados. De 2005 a 2013, a Rússia vendeu bilhões de reais em armamentos para a Venezuela. Embora a relação tenha esfriado sob Maduro, os contatos entre os dois países continuaram, e uma recente reunião entre Maduro e Putin reafirmou a cooperação estratégica.
A futura relação econômica entre a Rússia e a Venezuela é incerta, especialmente com Trump afirmando que controlará a indústria de petróleo venezuelana. O comércio entre os dois países é limitado e, em 2024, alcançou apenas 6,5 bilhões de reais, concentrado principalmente na exportação de petróleo venezuelano para refino na Rússia.



