Apesar das incertezas políticas e do contexto internacional, especialmente em relação às ações recentes dos Estados Unidos na Venezuela e a preparação para as eleições no Brasil, a XP Investimentos projeta um cenário econômico nacional relativamente estável para 2024.
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deve desacelerar, com uma estimativa de avanço de 2,3% em 2025. A inflação, por sua vez, já mostra sinais de queda, impactada pela valorização tardia do real, redução nos preços de alimentos e a diminuição dos custos de bens importados.
Para o Banco Central, essa previsibilidade econômica deverá possibilitar o início de um ciclo gradual de cortes na taxa de juros a partir de março. Analistas preveem que a taxa Selic fique em 12,50% ao final de 2024, após cinco reduções consecutivas de 0,50 ponto percentual, com uma pausa para reavaliação no segundo semestre.
A análise da XP indica que a política fiscal pode se manter estável, após o cumprimento da meta fiscal de 2023, auxiliada por receitas extraordinárias. Novas medidas de arrecadação devem incrementar as receitas em 2026, com um déficit total esperado de R$ 45,8 bilhões (equivalente a 0,3% do PIB), embora a previsão inclua um superávit primário de R$ 4 bilhões (representando 0,0% do PIB) ao excluir despesas fora da meta.
Apesar do otimismo em relação à arrecadação, analistas alertam sobre a necessidade de um ajuste nas despesas. A ampliação das despesas discricionárias, em detrimento das obrigatórias, levanta preocupações sobre a elevação dos gastos totais.
Se não ocorrerem reformas e com uma abordagem populista durante a campanha eleitoral, o cenário mais pessimista sugere o risco de uma crise fiscal e um aumento da inflação a partir de 2027. Mesmo em um cenário neutro, onde a contenção das despesas é implementada, mas não suficiente para garantir a sustentabilidade fiscal, a projeção indica uma Selic de 11% ao final de 2027.
Crescimento a Longo Prazo
De acordo com o relatório da XP, as medidas de estímulo aprovadas devem sustentar a demanda interna e, por consequência, o crescimento econômico. O documento destaca a reforma do Imposto de Renda Pessoa Física, iniciativas como o Novo Crédito Imobiliário e a expansão do crédito para pessoas jurídicas.
Com esses fatores em consideração, a XP projeta que o PIB crescerá 1,7% em 2026, com riscos de superação nas estimativas. Apesar das expectativas de flexibilização monetária, os juros devem permanecer elevados no horizonte futuro.
Para 2027, a previsão de crescimento é de 1,2% para o PIB, longe do potencial de 2,0%. Os analistas indicam que este ano deverá ser crucial para a implementação de reformas, reiterando que qualquer novo governo terá a responsabilidade de reduzir despesas para manter a estabilidade fiscal.
Eleições 2026
No panorama político, os ânimos estão em alta. Globalmente, as consequências das ações dos Estados Unidos na Venezuela ainda carecem de esclarecimento, dificultando a avaliação de seus impactos na América Latina e no Brasil.
No Brasil, o foco está nas eleições e nas movimentações políticas. Os primeiros meses de 2024 devem ser dominados pela campanha de Flávio Bolsonaro, que busca consolidar sua pré-candidatura como possível sucessor do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os resultados dessa preparação influenciarão o posicionamento dos demais partidos de centro-direita.
Paralelamente, o presidente Lula trabalha para manter e ampliar sua popularidade, recuperada em meados de 2023. As políticas públicas adotadas ao longo de 2024 terão um papel significativo na percepção do governo. Segundo os analistas da XP, a definição do cenário eleitoral deve permanecer incerta até as proximidades da votação.



