O intercâmbio comercial entre Brasil e China atingiu um novo marco, fechando o ano de 2025 com um total de US$ 171 bilhões, um crescimento de 8,2% em relação a 2024. Esse volume ultrapassou em mais de duas vezes o comércio com os Estados Unidos, o segundo maior parceiro comercial do Brasil, que movimentou US$ 83 bilhões no mesmo período. Os dados foram divulgados na nova edição do relatório do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), antecipada ao jornal O Globo.
Dentro deste total, as exportações brasileiras para a China somaram US$ 100 bilhões, representando o segundo valor mais alto desde que a série histórica começou em 1997. O crescimento das vendas para o país asiático foi impulsionado, principalmente, pelos embarques de soja, que corresponderam a mais de um terço do total exportado, com uma alta de 10% em comparação a 2024.
Esse crescimento ocorre em um contexto de tensões comerciais globais. Em 2025, os Estados Unidos impuseram tarifas elevadas a várias nações, o que impactou significativamente as relações comerciais. Como resultado, o Brasil reduziu suas exportações para os EUA, buscando novos mercados para atenuar os efeitos adversos. Em um movimento reflexivo, a China até suspendeu temporariamente a compra de soja dos norte-americanos durante este período.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), 22% das exportações do Brasil para os EUA, equivaliam a US$ 8,9 bilhões, continuam sujeitas a tarifas que foram estabelecidas em julho do ano anterior.
“O ano foi desafiador para a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Tulio Cariello, diretor de conteúdo do CEBC. Ele destaca que as sobretaxas implementadas pelos EUA ampliaram o déficit na balança comercial, uma vez que poucos produtos conseguiram compensar a perda de competitividade no mercado americano. As exportações brasileiras para os EUA caíram de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões em 2025, um declínio de 6,6% ou US$ 2,65 bilhões.
Cariello observa que, embora tenha havido um redirecionamento nas exportações — como o aumento da exportação de café para a China enquanto as vendas para os EUA diminuíram —, a diferença nas commodities exportadas limita os resultados positivos. O Brasil exporta predominantemente produtos agrícolas e da indústria extrativa para a China, enquanto sua pauta para os EUA é diversificada, com cerca de 80% das exportações direcionadas a bens da indústria de transformação.
Além disso, as importações do Brasil em relação à China também apresentaram crescimento, alcançando um recorde de US$ 70,9 bilhões em 2025, um aumento de 11,5% em relação ao ano anterior. Esse crescimento foi impulsionado pela aquisição de uma plataforma de petróleo, bem como pela importação de veículos elétricos híbridos, fertilizantes e produtos químicos. As aquisições de medicamentos e insumos farmacêuticos também aumentaram, colocando a China como o quarto maior fornecedor do Brasil neste setor.
Participação da China no Comércio Exterior Brasileiro
Atualmente, a China representa 27,2% da corrente comercial do Brasil com o mundo, que totalizou US$ 629 bilhões, refletindo um crescimento de 4,9%. A China mantém-se como o principal destino das exportações brasileiras, apesar do crescimento mais acelerado de outros mercados como Argentina e Índia, cujas vendas aumentaram 31,4% e 30,2%, respectivamente, em 2025. As exportações brasileiras para o total global subiram 3,5%, somando US$ 348,7 bilhões.
Cariello ressalta que o impulso do Brasil para diversificar seus mercados, especialmente no que diz respeito à venda de carnes e outros produtos para nações asiáticas, é um movimento positivo que visa reduzir a dependência em relação à China. Com a crescente demanda por alimentos nos países do Sudeste Asiático, essa tendência deve se fortalecer nos próximos anos.
“O eixo do comércio exterior brasileiro tende a se deslocar cada vez mais para a Ásia”, conclui.



