A ex-presidente do Federal Reserve (Fed) e ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, expressou preocupações severas sobre a investigação criminal aberta pelo Departamento de Justiça durante a gestão de Donald Trump, que tem como alvo o atual presidente do Fed, Jerome Powell. Em entrevista à CNBC realizada na segunda-feira, 12 de novembro, Yellen destacou que essa situação ameaça a independência do banco central americano e que o mercado pode não estar reagindo com a seriedade necessária. “Estou surpresa que o mercado não esteja mais preocupado. Me parece que deveria estar”, afirmou, descrevendo a situação como “extremamente assustadora”.
As declarações de Yellen surgem um dia após Powell revelar que foi notificado sobre uma apuração em Washington, D.C., que investiga se ele teria fornecido informações falsas durante um depoimento ao Congresso, realizado em junho, sobre um projeto milionário de reforma da sede do Fed. Embora o Departamento de Justiça ainda não tenha confirmado oficialmente a investigação, o desdobramento poderia levar a acusações de perjúrio.
Yellen não hesitou em responder à possibilidade de que Powell tenha mentido aos legisladores, sugerindo que a investigação possui motivações políticas. “Conhecendo o Powell como eu conheço, a chance de ele ter mentido é zero. Acredito que estão indo atrás dele porque querem a cadeira dele e desejam retirá-lo de lá”, declarou.
Janet Yellen, que chefiou o Fed no início do governo Trump e foi sucedida por Powell ao término de seu mandato, mais tarde se tornou a primeira mulher a dirigir o Tesouro sob a administração de Joe Biden. Em suas críticas, ela alertou que pressionar o Fed a reduzir os juros para diminuir o custo da dívida federal compromete a política monetária e prejudica a credibilidade da instituição. “Um presidente sugerindo que o Fed deve cortar juros para reduzir juros da dívida federal é completamente inadequado. Esse é o caminho para uma república das bananas”, afirmou.
As preocupações de Yellen sobre a investigação ecoaram entre outros ex-presidentes do Fed e ex-secretários do Tesouro. Em um comunicado conjunto, figuras como Ben Bernanke, Alan Greenspan, Timothy Geithner e Henry Paulson caracterizaram a ação como um ataque sem precedentes à autonomia do banco central. A nota enfatizou que “esse tipo de interferência é típico de países emergentes com instituições frágeis e costuma causar consequências graves para a inflação e o funcionamento da economia. Isso não condiz com os Estados Unidos, cuja maior força é o Estado de Direito, a base do nosso sucesso econômico”.



