A Argentina obteve um empréstimo de US$ 3 bilhões de um consórcio de bancos internacionais com o objetivo de honrar um pagamento de dívida externa que vence em dois dias e reabastecer suas reservas, que se encontram em níveis críticos. O Banco Central do país anunciou na manhã desta quarta-feira (7) um acordo de recompra — conhecido como repo — com um prazo de um ano e uma taxa de 7,4%.
Participaram do acordo seis instituições financeiras, cujas identidades foram confirmadas por fontes anônimas. Entre elas, o Banco Santander, BBVA e Deutsche Bank, cada um contribuindo com aproximadamente US$ 680 milhões. O Goldman Sachs investiu US$ 510 milhões, enquanto JPMorgan Chase aportou US$ 340 milhões e o Bank of China cerca de US$ 100 milhões.
Os representantes dos bancos mencionados não se pronunciaram sobre o acordo. A administração do presidente Javier Milei busca levantar o capital necessário para o pagamento de US$ 4,3 bilhões, que vence na sexta-feira, evitando o retorno imediato aos mercados internacionais de títulos. Para garantir o empréstimo, o governo ofereceu títulos locais denominados em dólares, conhecidos como Bonares, com vencimentos em 2035 e 2038, mas com um desconto de 40%. Isso resultou na entrega de aproximadamente US$ 5 bilhões em títulos para acessar os US$ 3 bilhões em espécie.
Além do empréstimo, o Tesouro argentino utilizou parte dos recursos de uma privatização de US$ 700 milhões em usinas hidrelétricas e o Banco Central fez sua primeira compra de dólares em nove meses, adquirindo US$ 21 milhões no mercado cambial, seguido de mais US$ 83 milhões na terça-feira.
De acordo com Ramiro Blázquez, estrategista da StoneX, a busca por dólares não se limita ao pagamento das dívidas imediatas, mas também visa fortalecer as reservas e preparar a economia para os meses críticos da colheita, quando a aquisição de dólares em mercados spot será desafiadora devido à inflação elevada.
Recentemente, o ministro da Economia, Luis Caputo, afirmou que os bancos haviam oferecido até US$ 7 bilhões em financiamento via repo. Essa operação é parte de um esforço para restaurar o acesso da Argentina aos mercados financeiros ao longo deste ano.
Analistas observam que a taxa de 7,4% é um sinal positivo, refletindo a confiança na acumulação de reservas ao longo deste ano. Walter Stoeppelwerth, diretor de investimentos da Grit Capital Group, enfatiza que o mercado vem reagindo favoravelmente às recentes intervenções do Banco Central na compra de dólares.
O acordo de repo também destaca a necessidade da Argentina de reestabelecer seu acesso ao mercado de títulos e financiamentos mais acessíveis. Observações de analistas, como Sebastian Boyd da Bloomberg, indicam que a movimentação atual sugere um retorno iminente da Argentina aos mercados internacionais, embora o país ainda enfrente vulnerabilidades políticas significativas.
No cenário político, a administração de Milei busca capitalizar sua recém-adquirida força no Congresso, tendo aprovado medidas como o superávit fiscal e reformas trabalhistas. As projeções econômicas apontam um crescimento de 3,4% para este ano, e de 4,4% em 2025, conforme estimativas mais recentes do Banco Central.


